ARTIGO: O brincar e o desenvolvimento infantil

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Luciana Carvalho Araújo – Psicóloga Infantil da APAE  de Esperantina-PI,  Especialista em Saúde Mental, Graduada em Educação Especial e Libras, Professora de Psicologia da Educação e Aprendizagem.

“É no brincar, e somente no brincar, que o indivíduo, criança ou adulto, pode ser criativo e utilizar sua personalidade integral: e é somente sendo criativo que o indivíduo descobre o seu eu (self)” (WINNICOTT, 1975, p. 80)

Quando nós adultos paramos no tempo e por alguns minutos rememoramos nossa infância é muito comum, ao menos para a maioria, lembrarmo-nos de nossos brinquedos favoritos e de como brincávamos.

Em meio a tantas lembranças são pungentes as sensações mistas de alegria e saudade. Recordamo-nos dos brinquedos comuns aquela época, das brincadeiras e dos coleguinhas que somaram conosco esta fase importantíssima para o desenvolvimento infantil.

Estes brinquedos, em geral, denominados de educativos são jogos (como dama, dominó, cara a cara, resta 1, bilboquê, jogos das sombras, caixa encaixa, quebra cabeça e outros) que possibilitam estabelecer a relação social e a integração.Os jogos são ferramentas fomentadoras de atitudes sociais, tais como: respeito mútuo, solidariedade, cooperação, respeito às regras, senso de responsabilidade, iniciativa grupal e pessoal. Sem olvidar que jogando a criança aprende e apreende o valor do grupo como força integradora, da colaboração espontânea para com esse grupo e da real importância do sentido de competir de maneira saudável.

Ainda na retrospectiva dos brinquedos e brincadeiras, temos as histórias, as dramatizações, as músicas infantis, as danças e as artes plásticas como forças motrizes do desenvolvimento infantil.

Através das histórias são trabalhadas a imaginação e a criatividade, consideradas elementos relevantes para o sucesso. E como bem nos lembra Albert Einstein a imaginação é mais importante que o conhecimento e esta abrange o mundo inteiro.

Nas dramatizações a criança é levada através da atuação de seu corpo (instrumento naquela ocasião de representação)a transmitir as emoções por meio de sua postura, de seus gestos e entonação de voz ao apresentar-se. A dança e a música propiciam o desenvolvimento individual e a convivência grupal, pois são trabalhadas ou estimuladas a socialização, desinibição, capacidade criadora, descobrimento e formação da auto estima.

Por último temos os trabalhos realizados por meio das artes plásticas, que englobam: a modelagem, o desenho, pintura, dobraduras, recorte e colagem e trabalhos com sucata ou materiais não mais utilizados na vida prática (como garrafas Pet, sacos de lixo, CDs velhos, dentre outros) e que de certa forma ajudam na prática dos 03 erres para proteger o meio ambiente: reduzir, reaproveitar e reciclar.

O brinquedo e as brincadeiras são ferramentas salutares para o pleno desenvolvimento infantil, assim como um espaço familiar afetuoso e orientador por parte dos responsáveis pela criança. Entretanto, esse fato é sabido e consabido de poucos, pois a grande maioria dos adultos percebem o brinquedo e as brincadeiras como banais e de puro entretenimento.

A APAE de Esperantina faz o resgate das práticas lúdicas porque conhece a complexidade e o valor destas para o funcionamento pleno do sujeito. Sabe também que o funcionamento pleno da criança atendida passa pelo respeito a algumas limitações trazidas por esta, que muitas vezes é oriunda de alterações genéticas (como na Síndrome de Down) ou problemas neurológicos (como, por exemplo, crianças com danos neurológicos graves ou degenerativos).

Dentro do Setor de Psicologia, nós Psicoterapeutas procuramos estimular todas as práticas acima mencionadas, analisando sempre a situação singular de cada paciente e somar a estas duas vertentes (estimulação através do brincar e da brincadeira e singularidade da criança) com a estimulação do quoeficiente emocional (trabalhando auto estima, resiliência e habilidades sociais).  A partir dessa tríade o plano de ação se inicia e a analise do brincar da criança no setting terapêutico se estrutura para que possamos paulatinamente e em respeito a suas idiossincrasias facilitar seu desenvolvimento.

Ao analisar o ato de brincar durante a sessão psicológica, nós atentamos para como se desenrola esse brincar: se a criança brinca sozinha, se brinca de modo apropriado com o brinquedo, se dá sentido à brincadeira, se ao brincar em grupo compartilha itens com colegas, se busca colaboração ou se brinca com colegas de faz de contas e de representar papéis.

O trabalho do Psicólogo Infantil junto à criança consiste não apenas no aspecto de analisar o brincar, mas também em observar suas Habilidades Sociais (se responde a saudações, responde a perguntas sociais, responde a solicitações de colegas, inicia brincadeiras quando em grupo, interage verbalmente com colegas, é solidário, tem atitudes resilientes, se é tolerante a frustrações durante brincadeiras, dentre outros elementos salutares para o pleno desenvolvimento da INTELIGÊNCIA EMOCIONAL).

Em tempos hodiernos faz-se necessário o desenvolvimento constante desta Habilidade Social: Inteligência Emocional, conhecida também como Quoeficiente Emocional (Q.E). A Inteligência Emocional é tida como uma subclasse da Inteligência Social, e o sujeito com Inteligência Emocional teria comportamento relacionado à capacidade de monitorar seus sentimentos e emoções e percebê-los também nos outros, na discriminação entre ambos e na utilização desta informação para guiar seus pensamentos e ações dentro e fora do grupo.

Além de estimular o desenvolvimento de Habilidades Sociais, o Psicólogo do Setor de Psicologia da APAE de Esperantina trabalha aspectos importantíssimos para o desenvolvimento cognitivo e favorecedor da aprendizagem: a atenção e a memória.

Estes dois elementos salutares para o processo de aprendizagem são trabalhados na Clínica de     Habilitação e Reabilitação através de jogos, brincadeiras, testes de memória e testes de atenção. As brincadeiras geralmente são norteadas por autores renomados, como o Professor Celso Antunes e adaptados à realidade de cada criança, respeitando sempre suas limitações.

Destarte, é que o setor de Psicologia da APAE de Esperantina trabalha junto a seu público: tratando o ato de brincar no espaço psicológico como campo de aprimoramento, crescimento emocional, cognitivo e social. Vale lembrar que no quesito social, o trabalho se estende ao apoio dado pela mídia e outros segmentos na luta pela desmistificação de preconceitos, estigmas e rótulos que habitam o imaginário popular e promovem segregação, sofrimento e isolamento social de crianças, adolescentes, adultos e idosos que frequentam a APAE. Por isso lembre-se: exerça sua cidadania através do respeito e amor ao próximo, afinal pessoas inteligentes compreendem que no mundo somos iguais mesmo sendo diferentes!

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