ARTIGO: Transtorno de déficit de atenção

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Meu filho foi diagnosticado com TDAH, e agora? Pergunta comum realizada por milhares de pais ao receberem o diagnóstico de que o filho tem TDAH.  O termo traz angústia e medo nos corações; o futuro dos filhos, de repente, se torna tão incerto, inseguro. Existem pais que preferem acreditar mesmo que tudo aquilo realizado pelo filho não passa de peraltice.

Depois do diagnóstico há mães que não mais retornam aos cuidados da equipe multiprofissional e creem que aquela fase ruim vai passar. Porém, fica o ALERTA: criança e adolescente com diagnóstico de TDAH precisam de acompanhamento médico e tratamento psicológico. Não aceitar o transtorno e evadir-se do tratamento levam a consequências que podem ser desastrosas e repletas de sofrimento para a criança, adolescente, família e também sociedade.

O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) é um dos transtornos neurobiológicos do desenvolvimento mais comumente diagnosticados em crianças e adolescentes. Dados apontam uma prevalência avaliada em torno de 5 a 8% em diversos grupos culturais, incluindo o Brasil.

O número de casos diagnosticados é vertiginoso e seu impacto social é merecedor de atenção por parte de sociedade e das autoridades de saúde pública. As pesquisas revelam que uma parcela de diagnosticados com TDAH desistem da escola e muitos enveredam pelo mundo das drogas e do crime.

O TDAH é dividido em três tipos: a) TDAH com predomínio de sintomas de desatenção; b) TDAH com predomínio de sintomas de hiperatividade/impulsividade; c) TDAH combinado (o subtipo “c” traz consigo os dois tipos anteriores juntos). O diagnóstico de TDAH requer um agrupamento de sintomas persistentes e muito particulares da hiperatividade/impulsividade ou desatenção que venham a ocasionar prejuízos em pelo menos duas situações diferentes na vida da criança e do adolescente como, por exemplo, dificuldades em casa e na escola.

Os sintomas do TDAH, geralmente, em nível de Desatenção são: não prestar atenção a detalhes ou comete erros por omissão em atividades escolares/acadêmicas, dificuldades em sustentar a atenção durante tarefas escolares ou mesmo durante atividades lúdicas, com constância parece não escutar quando lhe dirigem a palavra, frequentemente não segue instruções e não conclui seus deveres escolares, tarefas domésticas ou deveres profissionais (ressalta-se aqui que este procedimento não é devido a comportamentos de oposição ou incompetência para compreender instruções dadas), dificuldade em organizar tarefas e atividades, evita com veemência e ojeriza tarefas que exijam esforço mental constante, perde coisas necessárias para confecção de tarefas ou atividades (como por exemplo lápis, livros, cadernos), distrai-se facilmente por estímulos alheios a tarefa e apresenta esquecimentos habituais em atividades diárias.

No que tange a hiperatividade os sintomas geralmente são agitar as mãos ou os pés ou se remexe muito na cadeira, abandona frequentemente sua cadeira na sala de aula ou em outras situações nas quais se acredita que o mesmo continue sentado, em situações inoportunas corre e escala com constância (em adolescentes e adultos pode estar restrito a sensações internas de inquietação), dificuldade em envolver-se silenciosamente em atividades de lazer, com muita frequência está “a mil por hora” e frequentemente fala em excesso.

No aspecto impulsividade os sintomas comuns são: dar respostas precipitadas antes mesmo que a pergunta tenha sido inteiramente dita, dificuldade em esperar sua vez, atravessa e se intromete frequentemente em assuntos de outrem (conversas ou brincadeiras, por exemplo).

Na adolescência aparece com as dificuldades próprias do TDAH e pode agravar-se com a associação de alguma comorbidades que as vezes acompanham o transtorno como, por exemplo, Transtorno Desafiador Opositor (TDO), Transtorno de Conduta (TC) e Transtorno de Personalidade Antissocial (TPAS). O TDAH coligado ao transtorno de conduta ou transtorno afetivo bipolar, torna propenso o indivíduo ao abuso de substâncias na adolescência, enquanto o TDAH isolado é tímido fator de risco para o abuso da mesma.

O TDAH, ao longo do desenvolvimento do indivíduo, está associado a um risco aumentado de fraco desempenho escolar, repetência, expulsões e suspensões escolares, relações familiares e com colegas complicados, aumento de ansiedade, depressão, baixa autoestima, problemas de conduta e delinquência, experimentação e abuso de drogas precocemente, acidentes de carro e multas por abuso de velocidade, como dificuldades significativas de relacionamento na vida adulta, no casamento e no trabalho.

Estudiosos nos lembram de que 50% a 60% das crianças com TDAH serão provavelmente adultos que seguem com problemas relevantes de atenção, concentração, impulsividade e interação social, o que originarão problemas de trabalho, relações interpessoais, baixa autoestima, irritabilidade, alto grau de ansiedade e instabilidade emocional. O que pode culminar em discriminação, estigmatização e exclusão social por não adequar-se as exigências sociais, comprometendo o sujeito como um todo.

O impacto do TDAH na sociedade é enorme, pois além do alto custo financeiro, do estresse nas famílias, os prejuízos nas atividades laborais, há efeitos negativos na autoestima de crianças e adolescentes.

O tratamento do TDAH envolve uma abordagem múltipla, englobando intervenções médicas (farmacológica na grande maioria dos casos) e intervenções psicológicas. As intervenções psicoterápicas devem orientar tanto o indivíduo com TDAH como orientar os pais. Na psicoterapia individual ou de grupo o propósito é possibilitar o refinamento de habilidades sociais e aumentar a autoestima. Na orientação aos pais, parte integrante da intervenção psicoterápica, desenvolver comportamentos objetivando melhorar comportamentos sociais e acadêmicos dos filhos.

Segregar e estigmatizar uma criança ou adolescente com TDAH pode simplesmente corroborar para o agravamento do caso e estaremos semeando atitudes para um mundo desumano,  insensível, anticristão e engessado em mitos e preconceitos ultrapassados.

Em pleno século XXI tais práticas já não cabem mais no nosso repertório humano e num mundo alavancado pela tecnologia e pela informação torna-se prática primitiva. Nunca é tarde para transformar os preconceitos em conceitos calcados em informações sólidas e respeitosas. De posse da informação e do respeito nossas crianças e jovens poderão usufruir de um futuro mais justo e com oportunidades para mostrarem sua criatividade e seu talento.

Luciana Carvalho Araújo – Psicóloga Infantil da APAE de Esperantina-PI, Especialista em Saúde Mental, Graduanda em Educação Especial e Libras e Professora de Psicologia da Educação e da Aprendizagem.

 

1 comentário
  1. Marselia diz

    São de iniciativas assim que a sociedade em geral, principalmente os educadores e os pais,necessitam como uma forma de desmistificar alguns mitos e tabus a respeito do TDHA. PARABÉNS, Dr° LUCIANA.

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