Escova de dente automática é melhor para pacientes especiais?

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Imagem Ilustrativa

A placa dentária, formada pelo acúmulo de restos alimentares sobre os dentes, é fator determinante para a ocorrência das duas doenças bucais mais prevalentes, que também são as duas maiores causas de perdas dentárias: cárie dentária e problemas avançados na gengiva. Na prevenção destas doenças, a estratégia mais comumente adotada é a escovação dentária. Considerada uma prática diária relativamente simples, escovar os dentes pode ser uma tarefa pouco interessante para muitas pessoas. A Associação Americana de Odontologia sugere que duas escovações por dia, com o tempo de 2 minutos, são suficientes para remover biofilme adequadamente, e assim, evitar cárie e doenças da gengiva. A maioria dos cirurgiões-dentistas recomendam três escovações diárias, a serem realizadas após as refeições. Estudos realizados no Brasil observaram que a maioria da população relata escovar três vezes ou mais por dia, mas de fato isto não ocorre.

A partir da década de 1960 vários tipos e modelos de escovas automáticas foram introduzidos no mercado, com o intuito de tornar o hábito de escovação dos dentes mais atrativo pelas pessoas e, com isso, induzi-las a melhorar suas práticas de higiene bucal e promover redução na prevalência das doenças bucais ocasionadas pela placa dentária. Vários são os tipos de escovas automáticas disponíveis, mas as pesquisas científicas apontam que o tipo de escova que promove movimentos rotacionais-oscilatórios são as que promovem maior limpeza dos dentes.

Pacientes com necessidades especiais geralmente apresentam vários problemas de saúde associados, de modo que a saúde bucal pode ficar em segundo plano, principalmente pelas deficiências intelectuais e motoras que geralmente estão presentes nestes indivíduos. Em relação aos cuidados de higiene bucal, geralmente um cuidador que realiza as escovações nestes pacientes. Este cuidador, geralmente a mãe, é sobrecarregado com os cuidados a serem realizados, de forma que qualquer técnica ou instrumento que facilite e reduza a demanda de tempo para realização dos cuidados são bem-vindas. Considerando isso, surgiu a seguinte questão aos profissionais da odontologia e cuidadores de pacientes com necessidades especiais: a escova automática é melhor nestes pacientes?

Uma pesquisa realizada entre maio e julho de 2017 pelo Programa de Pós-graduação em Odontologia da Universidade Federal do Piauí avaliou o uso de escovas automáticas em crianças e adolescentes com Síndrome de Down. Foi observado que escova automática auxiliou bastante na remoção de placa nestes pacientes, promovendo uma redução superior a 70%. Comparado ao uso de escova automática, escova manual em crianças e adolescentes com Síndrome de Down também proporcionou uma grande redução de placa. Outro estudo brasileiro que avaliou escovas automáticas em pacientes especiais foi realizado em Diamantina-MG, com crianças e adolescentes com Paralisia Cerebral. Lá, os pesquisadores também observaram que escova automática e escova manual promoveram grande redução de placa, de modo semelhante. Estes resultados observados em pesquisas com pacientes especiais são importantes para as famílias destes pacientes porque permite que os pais escolham com cautela sobre qual método de higiene bucal a ser utilizado, analisando a relação custo-benefício, pois estes pacientes requerem diversos cuidados que representam gastos com serviços de saúde e medicamentos.

Os pacientes com Síndrome de Down observados no estudo realizado por pesquisadores da UFPI, em Teresina, participam de um programa de promoção de saúde bucal, onde constantemente recebem orientações sobre escovação e demais práticas de higiene. Isto demonstra que, independente do tipo de escova que os pais de pacientes com necessidades especiais escolham, as visitas periódicas ao cirurgião-dentista, frequência regular e técnica adequada de escovação são muito importantes.

Aryvelto Miranda SilvaCirurgião-Dentista e Aluno do Programa de Pós-graduação em Odontologia da UFPI;

Regina Ferraz MendesDoutora em Dentística pela Faculdade de Odontologia de Bauru da USP e Professora do Programa de Pós-graduação em Odontologia da UFPI.

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