Imigrantes bolivianos são homenageados pelo Museu da Lambada

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Por Paulo Machado / paulomachado963@gmail.com

Instrumento da música boliviana - Museu da Lambada 2015SÃO PAULO – No 19° Festival de Arte Contemporânea SESC – VÍDEO BRASIL, o bem conceituado artista plástico colombiano Carlos Monroy apresenta a obra LLORANDO SE FOI. O MUSEU DA LAMBADA. IN MEMORIAN DE FRANCISCO “CHICO” OLIVEIRA”. Carlos nasceu em Bogotá, a capital da Colômbia, e atualmente mora em São Paulo. Panoramas do Sul é o tema geral da grande exposição, que inclui muitos trabalhos expostos ao público, e sobre a obra do colombiano, cita: “A consagração da lambada como elemento da cultura brasileira e o crescimento exponencial da imigração laboral de bolivianos para São Paulo, do fim dos anos 1980, são o pano de fundo da obra, que explora o caso de plágio da canção Llorando Se Fue, criada pelo grupo boliviano Los Kjarkas… Registros de mídia, objetos e produção audiovisuais lembram a lambada como fenômeno midiático internacional, que apresenta ao mundo o País da dança proibida…”Clip CHORANDO SE FOI de Marcia Ferreira no Museu da Lambada 2015, São Paulo 15

O DRAMA DA IMIGRAÇÃO ILEGAL

O fenômeno da imigração ilegal dos bolivianos para São Paulo preocupa os governos do Brasil e Bolívia. Estima-se que atualmente possa haver até 500 mil imigrantes bolivianos na região metropolitana de São Paulo. Os bolivianos que chegam diariamente em São Paulo vem das cidades de La Paz, El Alto e Potosí. A maioria chega de forma ilegal e assim os bolivianos se tornam vulneráveis e vítimas da exploração nas oficinas de costura onde trabalham, gerando grande destaque na imprensa brasileira. O bairro do Bom Retiro, na região central de São Paulo, é um reduto da imigração boliviana. O objetivo dos bolivianos no Brasil é semelhante ao sonho dos retirantes do Nordeste que fugiam da seca e se aventuravam nos grandes centros urbanos brasileiros. Assim como os nordestinos, os bolivianos vem ao Brasil com a ideia de trabalhar, juntar algum dinheiro e depois voltar à terra natal.

A dança da praiaA Bolívia é considerada a nação que sofre as maiores dificuldades socioeconômicas na América Latina. Com 10 milhões de habitantes, o Pais administrado por Evo Morales vive em baixo desenvolvimento humano, crises econômicas e instabilidade política. Ao se firmar como potência da América Latina, o Brasil se tornou atrativo à imigração vinda das nações vizinhas, principalmente Bolívia, Paraguai, Peru e até do Haiti. Depois de São Paulo, as cidades preferidas pelos bolivianos são: Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasilia.

A LAMBADA NO TOPO DO MUNDO

Os filmes da Lambada 3A lambada e a música Chorando Se Foi constituem um dos casos mais polêmicos e explosivos na história do show business internacional. No final da década de 1980, a lambada foi o principal cartão de visita do Brasil no estrangeiro. Em 1986, a cantora Márcia Ferreira e José Ari fizeram a versão legalizada da música Llorando Se Fue, de autoria dos irmãos bolivianos Ulisses Hermoza e Gonzalo Hermoza. Os músicos bolivianos criaram Llorando Se Fue para afinar um instrumento utilizado para tocar música andina.

Assim, a canção boliviana virou CHORANDO SE FOI no Brasil, com grande êxito lançada pela Continental, uma das maiores gravadoras do Brasil naquela época. Chorando Se Foi era a canção predileta nas praias da Bahia, em especial Porto Seguro. Nas praias baianas Chorando Se Foi era a favorita, pois muito ajudava na coreografia da lambada, que logo depois virou um hit mundial na versão controversa e explosiva da Banda Kaoma. Em batalha judicial na França, entre os produtores do Kaoma, os irmãos Hermoza e Márcia Ferreira, a justiça francesa concedeu ganho de causa à Márcia Ferreira. Assim, em março de 1991, Chorando Se Foi retornou a seus criadores (irmãos Hermoza) e seus  versionistas em ritmo de lambada: Márcia Ferreira e José Ari.

Carlos Monroy já apresentou trabalhos na Colômbia, Brasil, Canadá, França e Alemanha. Na exposição Museu da Lambada se destacam as roupas coloridas do folclore boliviano, além da roupa da dançarina baiana Marilei da Silva, que trabalhou mundo afora com a Banda Kaoma. Também é notável a rica produção fonográfica da lambada, que incluiu muitos discos da Xuxa, Sarajane, Chiclete com Banana, Betto Dougllas, Banda Mel, Alípio Martins, José Orlando, Angélica, Beto Barbosa, Sidney Magal e muitos outros.

O drama vivido pelos imigrantes da Bolívia foi tema da redação do ENEM em 2012: “O movimento imigratório para o Brasil no século XXI.”

Visite o Museu da LambadaTraje da dançarina Marilei da Silva 01

Exposição temporária: de 8 de outubro a 6 de dezembro de 2015

Entrada gratuita

Av. Imperatriz Leopoldina, 1150 – Lapa  – São Paulo – SP

www.videobrasil.org.brpaulo machado

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