O dia em que parei de mandar minha filha “andar logo”

Por Márcio Kuhne

Márcio Kuhne

Quando se está vivendo uma vida ocupada, cada minuto precisa ser contabilizado. E não importa em quantas maneiras você divide o seu tempo e atenção, não importa quantas obrigações você cumpra em modo multifuncional, nunca há tempo suficiente em um dia.

Essa foi minha vida por dois anos frenéticos. Meus pensamentos e ações foram controlados por e-mails, toques de celular e uma agenda lotada.

Cada fibra do meu sargento interior queria cumprir com o tempo de cada atividade marcada na minha agenda superlotada, mas eu nunca conseguia estar à altura. Seis anos atrás fui abençoada com uma criança tranquila, sem preocupações, do tipo que para pra cheirar flores.

Quando eu precisava estar em algum lugar em cinco minutos, ela insistia em colocar o cinto de segurança em seu bichinho de pelúcia. Quando eu tinha 30 minutos para caminhar, ela queria que eu parasse o carrinho e acariciasse todos os cachorros em nosso percurso.

Minha criança sem preocupações foi um presente para minha personalidade apressada e atarefada – mas eu não pude perceber isso. Sempre que minha filha fazia com que eu desviasse da minha agenda, eu pensava comigo mesma: “Nós não temos tempo pra isso.” Consequentemente, as duas palavras que eu mais falava para minha pequena amante da vida eram: “anda logo”, talvez até mais do que dizia “eu te amo”.

Até que em um dia as coisas mudaram. Eu havia acabado de pegar minha filha mais velha na escola e estávamos saindo do carro. Não indo rápido o suficiente para o seu gosto, minha filha mais velha disse à sua irmã mais nova, “você é lenta”. E quando ela cruzou os braços e soltou um suspiro exasperado, eu me vi – e foi uma visão angustiante.

Vi com clareza o dano que minha existência apressada estava causando às minhas duas filhas. Com a voz trêmula, olhei para os olhos da minha filha mais nova e disse: “Me desculpe por ficar fazendo você se apressar. Eu adoro como você aproveita o seu tempo e eu quero ser assim como você”.

Comecei a lhe dar um pouco mais de tempo para se preparar se nós tivéssemos que ir a algum lugar. Toda vez que ela parava para admirar algo, eu afastava os pensamentos de coisas do trabalho e simplesmente observava.

Eu escolhi viver o hoje. Seja comendo sorvete, pegando flores, apertando o cinto de bichinhos de pelúcia, encontrando conchinhas, observando joaninhas ou andando na calçada. Nunca mais direi: “Não temos tempo pra isso”, pois é basicamente dizer que não se tem tempo para viver. Tomar seu tempo, pausar para deleitar-se com as alegrias simples da vida é o único jeito de viver de verdade – acredite em mim, eu aprendi com a especialista mundial na arte de viver feliz.

(Adaptado de Rachel M. Stafford)

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