Sobre a falta de empatia e a ânsia pelo clique: suicídios não devem ser divulgados

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Por Sávia Barreto / OitoMeia

Como jornalistas é comum recebermos informações sobre suicídios. Muita gente manda dados, fotos e até vídeos e esperam que sejam divulgados. Não podemos. E no vídeo da semana eu explico os motivos.

É completamente errado e um desserviço à sociedade divulgar casos isolados de suicídio. Quando a imprensa divulga pessoas que não são públicas, não são famosas, não possuem um cargo público, com detalhes, o efeito é oposto ao pretendido: ao invés de informar e alertar, aqueles mais vulneráveis podem tomar o suicídio como forma de chamar a atenção ou de retaliação contra outros.

A responsabilidade não é apenas da imprensa: quando você recebe e compartilha informações desse tipo, é preciso compreender a possibilidade de estar contribuindo indiretamente para enaltecer o suicídio.  No Piauí, foram 152 mortes por suicídio em 2016. Isso torna o Estado com a maior taxa de mortalidade no país, sendo superior à do Brasil e Nordeste no período de 2010 a 2014, caracterizado por uma tendência crescente. Teresina é o município com maior número de óbitos por suicídio, seguido pelos municípios de Parnaíba e Picos.

O que podemos fazer? Esclarecer conseqüências do ato em si, seja na forma de danos físicos e mentais permanentes para as tentativas que não se concretizaram ou então no impacto que provoca. É preciso – isso sim – falar sobre problemas mentais, sobre depressão e, principalmente, mostrar que existem serviços de ajuda.

Veja o vídeo abaixo:

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